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O voto secreto, a cabina indevassável, o voto feminino e a criação da Justiça Eleitoral especializada formam os principais instrumentos de modernização do processo eleitoral brasileiro. Nascidos no ambiente pós-revolucionário de 1930, tais instrumentos atenderam à contínua pressão popular nos centros urbanos, insatisfação que se traduziu na promulgação do Código Eleitoral de 1932. Guardiã da legitimidade do processo eleitoral, a Justiça Eleitoral nasceu em 24 de fevereiro de 1932 e foi instalada em 20 de maio daquele ano. O Tribunal Superior da Justiça Eleitoral teria como presidente o ministro Hermenegildo Rodrigues de Barros.

Os novos tempos vinham superar a chamada República Oligárquica ou República Velha, que durou até 1930. Época da eleição “a bico de pena”, quando os votos brancos ou nulos eram raros. As cédulas podiam ser manuscritas ou impressas em jornais e o eleitor tinha que recortá-las, preenchê-las, depositá-las nas urnas e assinar uma lista de presença. O eleitorado reduzido e o processo fraudulento permitiram que presidentes fossem eleitos com mais de 90% dos votos. Em 1918, por exemplo, Rodrigues Alves chegou ao poder com 99% do total de sufrágios. Como resume um importante estudioso do período, o historiador José Murilo de Carvalho: “Havia fraude na inscrição dos eleitores, fraude na votação, fraude na contagem dos votos e fraude no reconhecimento dos eleitos”.

Mas, apenas cinco anos depois, em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas lideraria um golpe de estado para instituir a “nova ordem” do País, o “Estado Novo”, uma ditadura que colocava fim ao curto intervalo constitucional, de 1934 a 1937. O Estado Novo varguista fecha o Congresso e suspende as eleições livres e diretas, além de extinguir a Justiça Eleitoral e os partidos políticos.

O processo de redemocratização do País estava em curso e culminou com a destituição de Vargas e o fim do Estado Novo. Em 29 de outubro de 1945, os militares passaram o Governo ao presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, à época também presidente do TSE. Em 28 de maio de 1945, a Justiça Eleitoral seria restabelecida pelo Decreto Lei n.º 7.586, A Lei Agamenon. Já com o nome atual, o Tribunal Superior Eleitoral seria instalado em 1º de junho do mesmo ano no Palácio Monroe, no Rio de Janeiro, então capital da República.

Os Tribunais Regionais Eleitorais do Distrito Federal e do Estado do Rio de Janeiro foram criados na primeira sessão do TSE, em 7 de junho de 1945. O primeiro Tribunal Regional Eleitoral do País a ser criado foi o do Estado do Rio de Janeiro, com sede em Niterói. Instalado em 24 de setembro de 1946, o TRE do Distrito Federal (TRE-DF) foi presidido pelo desembargador Afrânio da Costa. Em janeiro de 1946, Eurico Gaspar Dutra torna-se o primeiro presidente eleito no Brasil em votação secreta.

O Código Eleitoral de 1945 vigorou com poucas alterações até o advento de um novo, em 1950, que adotou pela primeira vez a cédula única de votação. O presidente Gaspar Dutra sancionou o novo Código Eleitoral em 24 de junho de 1950, no Plenário do prédio histórico da Rua Primeiro de Março, 42. Em 1955, a Lei 2.256 criou a folha individual de votação, que fixou o eleitor na mesma seção eleitoral e coibiu, entre outras fraudes, a do uso de título falso ou  segunda via obtida de modo doloso.

Com a mudança da Capital para Brasília, foi criado o TRE da Guanabara, que ocupou o prédio da Rua Primeiro de Março, 42, no atual corredor cultural do Centro do Rio de Janeiro. Com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 15 de março de 1975, os dois TREs foram unificados, com a denominação de Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Na sessão especial de 20 de março de 1975, a alteração foi formalizada.

Desde 1995, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro funciona na Avenida Presidente Wilson, 198, no Castelo. Desde então, o antigo prédio da Rua Primeiro de Março já abrigou o Palácio da Cidadania e o Centro Cultural da Justiça Eleitoral.

Concebido pelo engenheiro e arquiteto alemão Luís Schreiner, o projeto do prédio trazia conceitos inovadores à época, com o objetivo de abrigar a sede do Banco do Brasil, que, no entanto, nunca chegou a ser instalado no prédio. A primeira instituição a ocupá-lo, em 1896, foi o Supremo Tribunal Federal (STF), que ali permaneceu aqui até 1909, quando o prédio foi cedido à Caixa de Conversão e Amortização. Foi o STF que encomendou ao artista plástico Antonio Parreiras os painéis "A partida" e "A Chegada", instalados no segundo pavimento e que ampliam o valor histórico e artístico do prédio.

Em 1994, o TRE do Rio prendeu em flagrante uma quadrilha de fraudadores de voto. Numa ação enérgica, o tribunal decidiu anular o resultado das eleições proporcionais e realizar novo pleito no Estado. Para eliminar as fraudes na votação, a Justiça Eleitoral iniciou uma revolução na garantia do respeito à vontade do eleitor, com a introdução das urnas eletrônicas. Nas eleições de 1996, 33 milhões de eleitores votaram eletronicamente. Em 1998, foram 75 milhões, sendo o Rio de Janeiro o primeiro estado a realizar uma eleição 100% informatizada. Em 2000, todos os brasileiros puderam votar com a urna eletrônica nas eleições para prefeitos e vereadores.

Hoje, a Justiça Eleitoral procura estender a segurança da informatização à identificação do eleitor, com o processo de cadastramento biométrico. Trata-se da continuação, na época atual, da luta histórica de garantia da transparência, segurança e plena legitimidade do processo eleitoral. No Rio de Janeiro, o cadastramento biométrico de eleitores teve início em 2009, no município de Armação dos Búzios.

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